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Água suja é mais um problema no residencial Carandá, em Sorocaba

Caranda Sorocaba

Moradores dos 2.560 apartamentos do residencial Carandá, entregues há pouco mais de um mês, estão reclamando da qualidade da água que chega nas torneiras. Uma análise realizada por técnicos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (Saae) constatou que a contaminação ocorre quando a água chega aos reservatórios internos de cada condomínio, que são de material metálico, instalados pela Direcional Engenharia. Além de cor amarelada, a água também apresenta cheiro forte e gosto ruim e muitas pessoas afirmam que passaram mal após o consumo.

Questionada, a Prefeitura de Sorocaba, através da Secretaria de Comunicação e Eventos (Secom), informou que desde que tomou conhecimento das ocorrências de água com aspecto, cheiro e sabor alterados, há cerca de dez dias, “imediatamente se mobilizou para constatar o fato, detectar as suas causas e a partir de então corrigir o problema”. Desta forma, divulgou por meio de nota, o Saae foi acionado, e por meio de seus técnicos deu início às coletas de água e análises em seus laboratórios.

Primeiramente, foi feita a análise nos três pontos em que a qualidade e potabilidade da água são de responsabilidade da autarquia: nas redes de distribuição ao redor do empreendimento; no macro medidor (hidrômetro dimensionado) em que a água chega ao Carandá e no reservatório de 2 milhões de litros, que faz a distribuição para os reservatórios de cada condomínio. Nos três casos, o resultado foi de água dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde (portaria 2.914), incluindo aspecto (cor), e teores de cloro e flúor.

Posteriormente, informou a administração municipal, as coletas foram realizadas nos reservatórios internos do residencial, em cada um dos condomínios, que não são de responsabilidade da autarquia, e o que se constatou foi que a água com alterações ocorria a partir desses reservatórios. “Com a constatação de que a sujeira era proveniente do interior dos reservatórios internos, a Prefeitura notificou a construtora Direcional, responsável pelo empreendimento, para que tomasse as providências necessárias, com a maior urgência possível, para que a qualidade da água distribuída dentro do residencial fosse a mesma da distribuída pelo Saae, que chega ao hidrômetro localizado na fachada do Carandá e no reservatório da autarquia.”

Segundo a nota, a empresa responsável pelo trabalho técnico social com os moradores, a Sistema Pri, também foi acionada a fim de orientar a população residente no local a não utilizar a água para o consumo da forma como está chegando às torneiras, “e tranquilizá-la sobre as medidas que serão colocadas em prática para a solução do problema, que vai ocorrer a partir do trabalho de higienização dos reservatórios internos do residencial”. A Direcional Engenharia foi procurada pela reportagem via telefone, mas as chamadas não foram atendidas.

“Quem sofre somos nós”

Rosemari da Silva Araújo Coelho, 38 anos, e o marido Reginaldo dos Santos Coelho, 43 anos, contam que o problema ocorre desde a mudança para o apartamento, dentro do condomínio Jaburandi, e relatam que após a filha apresentar bolhas na pele, eles resolveram comprar galões de água e também um filtro. “Compramos a água ontem (terça-feira) e também o filtro, e nisso gastamos R$ 150. É um dinheiro que vai fazer falta”, diz Coelho. Rosemari conta que também sofreu por conta da qualidade da água e teve náuseas e diarreia.

Já Isabel Veloso da Costa, 64 anos, que também mora no condomínio Jaburandi — um dos 16 que integram o residencial — afirma que no período da manhã o aspecto da água é pior, com muito barro e “gosto de ferrugem”. Muitos moradores do Carandá contaram que as caixas d”água instaladas pelas Direcional Engenharia e toda a tubulação dos prédios são de metal e não de PVC. “Dá medo porque essa água a gente usa para tudo, tomar banho, beber, cozinhar.” As roupas brancas, lembra, já ficaram amareladas por conta da água contaminada.

Moradora do bloco Cedro, Thais Cristina Gomes, 29 anos, conta que já ligou várias vezes para a construtora e que foi informada que não havia solução para o problema. “Falavam que não era com eles e sim com o Saae, mas o Saae disse que é falta de limpeza das caixas e isso é a Direcional que tem que fazer. Enquanto isso quem sofre somos nós”, lamenta.

Sem dinheiro para comprar água mineral, Maria Lúcia Vieira, 55 anos, conta com a boa imunidade e com a sorte, pois consome a água que chega nas torneiras mesmo com receio. “A gente fica com medo, o gosto é ruim, mas não tem o que fazer”, lamenta. Júlia Silva, 20 anos, está no quinto mês de gestação e diz que desde que se mudou para o seu apartamento, no condomínio Paineiras, já foi várias vezes ao Pronto-Atendimento (PA). “Tenho passado muito mal e deve ser por causa da água. Agora vou na casa da minha mãe, no São Bento, e trago água para consumir em garrafas pet.”

Fonte – Cruzeiro do Sul