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Cresce o número de multas a motoristas embriagados

Multa embiagues Sorocaba

A quantidade de motoristas autuados por embriaguez ao volante aumentou na cidade e também nas principais rodovias da região de Sorocaba, na comparação dos cinco primeiros meses deste ano (de janeiro a maio) com o mesmo período do ano passado. Segundo levantamento feito pela Polícia Militar, em Sorocaba o número de condutores embriagados ao volante teve aumento de 12,19% no período analisado e passou de 123 de janeiro a maio do ano passado para 138 nos cinco primeiros meses de 2017. Já nas rodovias da região, entre elas a Castelo Branco e a Raposo Tavares, o aumento foi de 2,47%, sendo a quantidade de motoristas autuados por embriaguez ao volante passou de 566 autuações de janeiro a maio do ano passado para 580 no mesmo período de 2017, de acordo com levantamento feito pela Polícia Rodoviária. Para os especialistas, os números são preocupantes já que uma das maiores causas de acidentes de trânsito no Brasil está associada à ingestão de bebida alcóolica por condutores de veículos.

Segundo a Urbes – Trânsito e Transportes, permanentemente é realizado na cidade, em conjunto com a PM, a blitz da Operação Lei Seca em diversos locais e também próximas a bares, casas de shows e festas, com o objetivo de fiscalizar e orientar motoristas sobre o respeito à proibição de dirigir veículo automotor após consumir bebidas alcoólicas, além de reduzir o número de acidentes.

Do total de motoristas autuados por embriaguez ao volante em Sorocaba nos cinco primeiros meses de 2017 e 2016, 44 foram flagrantes. Nesse caso, segundo o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o condutor que atingiu ou ultrapassou o limite de 0,30 mg de álcool por litro de ar expelido dos pulmões comete crime de trânsito, que prevê penas de detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Outros 217 condutores parados em blitz na cidade, sendo 106 de janeiro a maio do ano passado e 111 no mesmo período deste ano, receberam auto de infração de acordo com o artigo 165 do CTB, que determina que o motorista sob efeito de álcool (com até 0,29 mg de álcool por litro de ar expelido) comete infração gravíssima (7 pontos na CNH), com multa de R$ 2.934,70 e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. O veículo ainda fica retido até a apresentação de outro condutor habilitado e em condições de dirigir. Em caso de reincidência em menos de 12 meses, o valor da multa é dobrado e passa para R$ 5.869,40.

Ainda segundo os dados da PM, de janeiro a maio deste ano foram realizadas 23 blitz da Operação Lei Seca na cidade, contra 19 no mesmo período do ano passado. Já o número de motoristas que foram submetidos ao teste do bafômetro nessas operações aumentou 61,72% no mesmo período e saltou de 648 pessoas para 1.048. Já a quantidade de condutores que se recusaram a fazer o teste também teve aumento de 189,74% no período comparado e passou de 39 condutores (janeiro a maio de 2016) para 113 nos cinco primeiros meses de 2017.

Aumento preocupa especialistas

Para o médico neurologista Sandro Blasi Esposito, da Faculdade de Medicina da PUC-SP, em Sorocaba, os efeitos nocivos do álcool e de entorpecentes em condutores e veículos são amplamente conhecidos e comprovados cientificamente. Segundo ele, entre outros efeitos, o motorista que dirige embriagado perde o raciocínio crítico, a coordenação motora, a velocidade do reflexos, além de apresentar sonolência, entre outros sintomas que afetam drasticamente a capacidade de condução dos veículos automotores. “Então, o motorista que insiste em dirigir alcoolizado, ou sob efeitos de outras substâncias, representa um risco muito grande de ele acabar provocando um acidente de trânsito, inclusive com mortes. O risco realmente é muito elevado”.

Para Esposito, o aumento no número de condutores autuados por embriaguez ao volante em Sorocaba e nas rodovias da região é bastante preocupante, em função do risco de aumento de acidentes de trânsito e consequentemente de mortes. O médico acredita que um trabalho contínuo e persistente de campanhas educativas sobre os perigos de associar álcool e direção deve ser realizado de forma permanente no País. “Em outros países a gente vê claramente isso ocorrer. Porém, aqui no Brasil as propagandas sobre os perigos de se dirigir embriago ainda são poucas e de forma muito esporádica. Na TV, por exemplo, se vê muito pouco atualmente esse tipo de propaganda”, alerta Esposito.

O engenheiro de trânsito e transporte, Adalberto Nascimento, também concorda que o aumento no número de autuações por embriaguez ao volante tanto na cidade como nas rodovias é preocupante. Para ele, a elevação pode ser explicada por um aumento nas fiscalizações, porém elas ainda são insuficientes e as punições pouco efetivas. “É preciso elevar ainda mais a fiscalização e as punições para motoristas embriagados que provocam acidentes de trânsito e acabam matando outras pessoas ainda são muito ineficazes no Brasil. Em outros países, as punições nesses casos são mais severas e efetivas, e os condutores embriagados, que cometem assassinatos, são realmente presos, o que nem sempre ocorre no País, ou as penas ainda são muito brandas”.

Fonte – Cruzeiro do Sul